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🍃 Vida leve #10 - Fevereiro de 2016


Olá,  
Ítalo por aqui.

A realidade crua muitas vezes é cruel.   
Precisamos de lentes que filtrem o que é importante e o que merece nossa atenção plena.  
  
A arte pode ser uma das nossas lentes.  
Ela é o tema do mês.  
  
Respire fundo e venha comigo.


 

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#1
Chef’s Table

  
A arte, quando bem feita, nos pega pelas víceras! Enche nossos olhos, amacia nossos ouvidos, estala nosso paladar, alimenta nossa alma. Quando terminei de assistir a série Chef’s Table, produzida pela Netflix, sabia que havia presenciado algo raro.  
  
Numa explosão sinestésica, cada episódio conta a trajetória de grandes chefs da cozinha mundial. Vemos a busca pela essência individual como combustível para criação gastronômica. O resultado são pratos que nos transportam para além da nossa percepção de sabor. Nos trazem em forma de arte toda a trajetória de amor e angústia de pessoas que desafiam os limites do senso-comum.

Deixo como recomendação a trilha sonora da série, que capta com maestria as sutilezas de cada um dos seis episódios.

[Trilha sonora] Chef’s Table    

https://soundcloud.com/satincowboy/sets/music-from-inspired-by-the

 

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#2
Arte e política


Pode a arte estimular virtudes para uma boa convivência em sociedade? Qual o papel do artista diante de um cenário de agressividade no debate político? Perguntas como estas estão presentes no capítulo final do livro a Arte como terapia, do filósofo Alain de Botton - já citado em edições anteriores do Vida Leve.  
  
Recortei alguns trechos marcantes e atuais:

“Em termos de simpatia, a arte política — em especial nos séculos XIX e XX no Ocidente — mostrou tendência a se alinhar  em favor dos fracos contra os fortes. Focalizou injustiças sociais e econômicas e procurou dar voz a comunidades marginalizadas, criando sentimentos de revolta e solidariedade na esperança de elevar a transformação política.”  
  
“Periodicamente, a arte também foi usada pelos poderosos como instrumento de aristocracias ou governos nacionais. Estes, nos casos mais graves, aproveitam o poder emocional da arte em favor da tirania (…). Foi corrompida a tal ponto que, ás vezes, parece que ela só pode se manter honesta quando renuncia a qualquer pretensão política, posição expressa no apelo à “arte pela arte” (…).”

“Embora se possa fazer mal uso da arte política, como ocorre com a maioria das coisas boas, seu potencial para o bem merece ser reconhecido em nível teórico e utilizado em nível prático. Se os artistas são capazes de ajudar os indivíduos, deve-se admitir também que exerçam o poder de curar os Estados.”  
  
“(…) Por exemplo, pode-se dizer que um dos principais problemas das sociedades prósperas é que as pessoas estão se tornando cada vez mais agressivas e impacientes. Assim, uma possível missão para a arte política moderna seria estimular a serenidade e a capacidade de perdoar.”  
  
“(…) é revigorante a percepção de que a tarefa dos artistas políticos é analisar e refinar a personalidade coletiva (…).”


Uma obra de 1635 evoca virtudes essênciais para um bom convívio em tempos de divergências políticas. A rendição de Breda é um memorial da derrota honrosa. O reconhecimento respeitoso do adversário.  
  
Podemos transformar a utopia em realidade?  

[Pintura] A rendição de Breda, de Diego Velázquez.  

Link para a obra
 


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#3
Stromae


À primeira vista, o cantor belga Stromae se destaca pelo seu visual colorido e suas músicas animadas. Mas ao descobrirmos seus clipes a magia nos é revelada. Numa mistura de Tim Burton com Wes Anderson, seus vídeos hipnotizam. Há uma sensibilidade artística peculiar se manifestando alí. Cores, cenas, atuações. Tudo em harmonia para potencializar a mensagem do artista.  
  
Queria saber mais sobre essa pessoa. O que o inspira? O que pensa? O que quer transmitir? Então encontrei uma entrevista onde, além de apresentar seus trabalhos mais recentes, Stromae compartilha sua visão de mundo. 

Perguntado sobre o significado da música Papaoutai, responde:  
  
“Papaoutai é sobre uma pergunta. Todos sabem como fazer bebês, mas ninguém sabe como fazer pais. Então, essa é a questão da música: o que significa ser um bom pai?”   
  
Confira a entrevista na íntegra. Está em inglês, mas é possível ativar a legenda - em inglês também.  
  
[Entrevista] Stromae with Gilles Peterson

https://www.youtube.com/watch?v=vBuXVGh5Q6M 
 



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Tem gostado das recomendações? Também gostaria de saber o que te faz ter uma vida mais leve. Quando se sentir à vontade: manifeste-se - leio e respondo todas as mensagens.

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Hoje somos poucos. Em breve seremos alguns. 

 

Grande abraço, e um ótimo mês!  


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